quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Poema de amor 10

o saber alegre bate a palavra-pão
a cidade desenha-se em pó azul
então já não há nada para dizer

posso? Vem! vamos. Agora? a lua cheia
apenas o limbo cortante do silêncio
avanço nas linhas e nos lugares, oiço
a tua respiração, os teus lábios doces
da pedra seca, bato a batida dos dentes
onde a palavra salta, matriz única, minha
moça das cerejas chilenas em dezembro

é o silêncio ainda que oiço
aqui rente ao chão do sol sem sombra
deitado na folha húmida onde bate o
dente até à entrenha do mar, sereno

José Gil

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