quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cascais 7


 
 
(baía de cascais, retirado daqui)
 
Estou preso é para bater na testa, as mãos algemadas
Estou cego sob a lua da música do guerreiro alquimista
Bate o arco da bravura onde a coragem está presa da anona
Fruta do Conde para beijar na boca, devo estar a sonhar
Avanço pelo caminho, quero caminhar junto ao oceano
Todos os  dias antes do sol nascer, o fogo abre o sentimento
Frágil no doce olhar da venda
 
Solta as mãos para dançar, solta a venda , bate no crânio
Até a Pedra Viva, bate a astúcia de saltar, construir o corpo
Recupera o poder no corpo livre da manga doce do beijo
 
Entre Birre e a Torre nascemos devagar sem estranheza
 
Já não estou preso, tenho a flor do frio da esperança – a angústia
 
Ainda não há o movimento pessoal – liberta as amarras do conforto
Vibra o primeiro passo na água salgada
 
Ainda fica a pergunta quem vai dormir comigo o corpo em fogo
 
O medo mora comigo, Cascais abre-se como vila clara
 
José Gil

sexta-feira, 12 de julho de 2013

De Cascais para Itabira 2



(imagem do paredão de Cascais. Imagem retirada daqui)

o corpo cobre a pedra,o calçadão, o paredão em
Cascais nasceu, hoje, com sol, perna a pedra
na corrida de Madrugada

todos sabem que é uma metáfora da crise

vibram os lugares até ao Guincho
do Mato de Itabira com frio e chuva
constrói a casa no colo onde nascem
flores e ondas nos nossos olhos

como o primeiro café da ética

A Carlos Drummond de Andrade
está a folha transparente da inteligência

Cascais fica a um dia de Itabira, o dia mais leve

José Gil

quinta-feira, 11 de julho de 2013

De Cascais para Itabira

 
(imagem de itabira)
 
Cascais fica aqui no teu colo
lindo como o oceano,entre
a água e o areal,deixarei o
... pontão de madrugada aos anjos
 
partirei para Itabira são 13h
corre na pedra, contra a pedra
e sai desta praia para outra e outra
é madrugada a linda névoa
encobre o teu colo de alecrim
 
névoa de Itabira e frio de Outono
bem mineiro o dia e o teu colo
vibra com os pés nús e claros
onde Lisboa nasce aqui num plano

fica na varanda um pouco mais
vai deixar de chover junto a Baiuka
teremos   torrada mista e café

beijo-te no arco da vila que
não quiz ser cidade, voo para
lá do paredão onde chegas ás 6h

em ponto saberei outro ritual
no colo roda as ancas para o céu
 
apaixonado como os guerreiros
não perdem as guerras de mangerona
 
José Gil

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Cascais 2




(imagem de Cascais, retirada daqui

Na praça aberta vejo o fundo da baía
ficam meus olhos bem no oceano do teu
corpo de hortelã e chocolate,procuro-te
no pontão de Cascais onde rebentam no
inverno as ondas que me trazem saudades
é um mar negro logo de manhã na calçada
branca como o céu - é inverno e procuro
a pele morena como na minha terra
 
oiço a tua musica mas quero só o mar
esse som eterno de rebolar contigo na areia
pelo mundo vou ás 5 em ponto da manhã
José Gil

 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O amor


(fotografia de ralph gibson, "untitled" (s/d)
 
 
(para Xavier Zarco)
 
 o amor é claro no vento forte
eu toquei o meu sangue com
o teu sangue e com o sangue da lua
numa noite de Fevereiro
 
 
carrego-te como o espelho
bem junto aos joelhos de morango
 
a cozinha ficou aberta com duas sopas
 
 
José Gil

sábado, 19 de janeiro de 2013

Itabira


 (estátua de carlos drummond de andrade, em itabira. fotografia de claudia ligório)

ao meu amor no 1 de Janeiro 2013

não há mar tão perto mas esse mar ao fundo de Minas
Minas não tem mar apenas o teu corpo curvado voando
bem azul, vamos de autobus desde Belo Horizonte são
linhas que se desenham na paisagem seca e dura de
mineiros

não há mar tão perto mas esse mar ao fundo de Minas
onde o carvão ficou tranquilo como a púbis do teu colo
guardo no coração as linhas da tua casa
como um abrigo de passagem

voo entre dois mundos e só sei do amor
nas flores que ficam pelo chão
Carlos Drumond de Andrade nasceu em
Itabira como tu e pergunta
"E agora José?" o que fazer à romã
abre-se todo o mar com o vento, janeiro é assim
sábado chove no teu corpo dentro do meu azul de ouro


José Gil

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Apologia para Domo

(pintura de Jonathan Green, "Geech", 2009)


durmo na folha verde, a causa dos índios
devo permanecer sereno e dono de mim
mesmo até nos sonhos  - de noite ainda
espero outro alguém na mesma relva
gelo, gelo para os dedos da alma – um
partis pris da vida secreta para um poema
em guignol na ambição única da arte
uma arenga poética, uma zanga com
cogitus interruptos a quem vive na
inviolável solidão

 José Gil