sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Cascais 14


 
 
(fotografia de Bill Brandt, "Nude, London" (circa 1950)
 
a Solange meu amor
 
Leve na sua forma o verbo canta
entre as tuas ancas onde fica a raiz
vital
...
no areal do espirito Cascais constrói a casa
vila de energia vital acelera o coração

beijo o que está na terra, ajoelho e escrevo

leve como a alma no lugar do espírito
nascem nas minhas mãos de leite os teus
seios onde a lingua é lenta como o mar

fico azul no plano da leveza e como uvas

 
José Gil

Cascais 11

 
 
 
(fotografia de Bennites, "o amanhecer em Cascais" (2005), retirada daqui
 
O sol nasce na linha do comboio quando chego a Cascais
O teu regaço doce abre o rio, quente como a Catedral
Escrevo na ardósia o poema da madrugada, curvo sobre
O teu corpo com a espada guerreira da felicidade alquímica
 
A areia volta no vento dos teus seios e as ancas procuram
Com os dedos o seu jardim, toca a harpa dos bons tempos
Como uma pequena  nuvem no calçadão, chegarei ao Estoril
Mais fresco nos teus lábios  um outro mundo vai nascer mudo

 
José Gil

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cascais 8


 


(praia do guincho, retirada daqui)
 
Almas gémeas, corpo espelho, traz a barra e a torre
Deixa passar no fogo do corpo a espada do guerreiro
A lua tida como começo do paredão, caminha bravo
Avança pelas horas até a Catedral e sente a pele
No lugar dos barcos o coração da areia levanta as velas
Regressa ao sol pelos lábios , de Birre ao Guincho trago
A bússola e o mapa só namoro o princípio do verbo doce
 
Oiço nos lábios os mamilos, os seios no peito, a língua
Faz a luz na raiz inicial, Cascais tem o céu muito azul
Aos passos do beijo demorado
 
Guerreiro cada vez mais reconciliado com o oceano
 
Parto com o giz a lousa, a pedra a ardósia e a tua mensagem
 
Jorge Vicente

Cascais 7


 
 
(baía de cascais, retirado daqui)
 
Estou preso é para bater na testa, as mãos algemadas
Estou cego sob a lua da música do guerreiro alquimista
Bate o arco da bravura onde a coragem está presa da anona
Fruta do Conde para beijar na boca, devo estar a sonhar
Avanço pelo caminho, quero caminhar junto ao oceano
Todos os  dias antes do sol nascer, o fogo abre o sentimento
Frágil no doce olhar da venda
 
Solta as mãos para dançar, solta a venda , bate no crânio
Até a Pedra Viva, bate a astúcia de saltar, construir o corpo
Recupera o poder no corpo livre da manga doce do beijo
 
Entre Birre e a Torre nascemos devagar sem estranheza
 
Já não estou preso, tenho a flor do frio da esperança – a angústia
 
Ainda não há o movimento pessoal – liberta as amarras do conforto
Vibra o primeiro passo na água salgada
 
Ainda fica a pergunta quem vai dormir comigo o corpo em fogo
 
O medo mora comigo, Cascais abre-se como vila clara
 
José Gil

sexta-feira, 12 de julho de 2013

De Cascais para Itabira 2



(imagem do paredão de Cascais. Imagem retirada daqui)

o corpo cobre a pedra,o calçadão, o paredão em
Cascais nasceu, hoje, com sol, perna a pedra
na corrida de Madrugada

todos sabem que é uma metáfora da crise

vibram os lugares até ao Guincho
do Mato de Itabira com frio e chuva
constrói a casa no colo onde nascem
flores e ondas nos nossos olhos

como o primeiro café da ética

A Carlos Drummond de Andrade
está a folha transparente da inteligência

Cascais fica a um dia de Itabira, o dia mais leve

José Gil

quinta-feira, 11 de julho de 2013

De Cascais para Itabira

 
(imagem de itabira)
 
Cascais fica aqui no teu colo
lindo como o oceano,entre
a água e o areal,deixarei o
... pontão de madrugada aos anjos
 
partirei para Itabira são 13h
corre na pedra, contra a pedra
e sai desta praia para outra e outra
é madrugada a linda névoa
encobre o teu colo de alecrim
 
névoa de Itabira e frio de Outono
bem mineiro o dia e o teu colo
vibra com os pés nús e claros
onde Lisboa nasce aqui num plano

fica na varanda um pouco mais
vai deixar de chover junto a Baiuka
teremos   torrada mista e café

beijo-te no arco da vila que
não quiz ser cidade, voo para
lá do paredão onde chegas ás 6h

em ponto saberei outro ritual
no colo roda as ancas para o céu
 
apaixonado como os guerreiros
não perdem as guerras de mangerona
 
José Gil

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Cascais 2




(imagem de Cascais, retirada daqui

Na praça aberta vejo o fundo da baía
ficam meus olhos bem no oceano do teu
corpo de hortelã e chocolate,procuro-te
no pontão de Cascais onde rebentam no
inverno as ondas que me trazem saudades
é um mar negro logo de manhã na calçada
branca como o céu - é inverno e procuro
a pele morena como na minha terra
 
oiço a tua musica mas quero só o mar
esse som eterno de rebolar contigo na areia
pelo mundo vou ás 5 em ponto da manhã
José Gil