quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Cascais 19

 
 
(fotografia de luís leal, "estoril para cascais", 2006). Retirada daqui.
 
a Solange
 
Só o sol a nascer e o teu corpo no oceano, espero
Poemas como quem espera pássaros de fogo
Cascais é outro ao amanhecer, são 6h e tudo aparece
 
Quem vai do Estoril a Cascais perde o andar e sonha
As pernas acompanham as pedras no lugar da criação
É para criar, partir o coração frio que te espera
 
Do outro lado do mundo, por uma flor de sal
O beijo percorre a língua e desagua no colo
Cascais é a baía
 
José Gil

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cascais 18


 
 
(fotografia de luís dias, "cascais à chuva" (2012). Retirada daqui.
 
Se ao menos a chuva parasse
não sentiria o teu coração tão
longe, escrevo no areal de Cascais
 
A tua imperturbável tranquilidade de
Flor tropical entre Lisboa e Paris
 
Pássaro de sangue chega já, que
o teu anjo se transfigure em gaivota
(des)floresta o meu colo em vez do sol(o)
 
Lamuriento dou o primeiro passo de
Guerreiro Alquimista a cavalo no meio
das ondas e das curvas do paredão,
com a espada em frente sempre em frente
sem ninguém saber o porquê da leveza
na cidadela em Abril
 
 
José Gil

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Cascais 17

 
 
                                                       (salamandra bar, cascais)
 
a Solange e Artaud 
 
" (...) Por detrás da poesia do texto, está a poesia pura
 sem forma e sem texto. (...) Não se trata de suprimir a
 palavra articulada, mas de conferir às palavras, aproximadamente
 a importância que têm os sonhos..."
(Antonin Artaud)
 
 
hoje gostaria de não escrever, descansar nos teus quadris
bem frente a baia de Cascais para o café da manhã
um batido de sementes de linhaça e manga com limão
leite de soja, Kivi, beijos e um abraço profundo
 
está escuro no intervalo das horas da madrugada e chove
 
para lá do oceano chegam os aviões como aves raras
de quem pode voar a mais pura das graças de continente
em continente, ferve límpido agora o dia, passam as horas
como as palavras, beijo-te as ancas no lugar da floresta
sem ver a árvore vejo os pássaros ainda falta para Julho
 
para bater na pedra fina. Para rolar o corpo na areia
Cascais é uma cascata verde e azul bem junto ao Guincho
Só o vento escreve o alfabeto dos escritores da manhã
 
José Gil

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Cascais 14


 
 
(fotografia de Bill Brandt, "Nude, London" (circa 1950)
 
a Solange meu amor
 
Leve na sua forma o verbo canta
entre as tuas ancas onde fica a raiz
vital
...
no areal do espirito Cascais constrói a casa
vila de energia vital acelera o coração

beijo o que está na terra, ajoelho e escrevo

leve como a alma no lugar do espírito
nascem nas minhas mãos de leite os teus
seios onde a lingua é lenta como o mar

fico azul no plano da leveza e como uvas

 
José Gil

Cascais 11

 
 
 
(fotografia de Bennites, "o amanhecer em Cascais" (2005), retirada daqui
 
O sol nasce na linha do comboio quando chego a Cascais
O teu regaço doce abre o rio, quente como a Catedral
Escrevo na ardósia o poema da madrugada, curvo sobre
O teu corpo com a espada guerreira da felicidade alquímica
 
A areia volta no vento dos teus seios e as ancas procuram
Com os dedos o seu jardim, toca a harpa dos bons tempos
Como uma pequena  nuvem no calçadão, chegarei ao Estoril
Mais fresco nos teus lábios  um outro mundo vai nascer mudo

 
José Gil

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cascais 8


 


(praia do guincho, retirada daqui)
 
Almas gémeas, corpo espelho, traz a barra e a torre
Deixa passar no fogo do corpo a espada do guerreiro
A lua tida como começo do paredão, caminha bravo
Avança pelas horas até a Catedral e sente a pele
No lugar dos barcos o coração da areia levanta as velas
Regressa ao sol pelos lábios , de Birre ao Guincho trago
A bússola e o mapa só namoro o princípio do verbo doce
 
Oiço nos lábios os mamilos, os seios no peito, a língua
Faz a luz na raiz inicial, Cascais tem o céu muito azul
Aos passos do beijo demorado
 
Guerreiro cada vez mais reconciliado com o oceano
 
Parto com o giz a lousa, a pedra a ardósia e a tua mensagem
 
Jorge Vicente

Cascais 7


 
 
(baía de cascais, retirado daqui)
 
Estou preso é para bater na testa, as mãos algemadas
Estou cego sob a lua da música do guerreiro alquimista
Bate o arco da bravura onde a coragem está presa da anona
Fruta do Conde para beijar na boca, devo estar a sonhar
Avanço pelo caminho, quero caminhar junto ao oceano
Todos os  dias antes do sol nascer, o fogo abre o sentimento
Frágil no doce olhar da venda
 
Solta as mãos para dançar, solta a venda , bate no crânio
Até a Pedra Viva, bate a astúcia de saltar, construir o corpo
Recupera o poder no corpo livre da manga doce do beijo
 
Entre Birre e a Torre nascemos devagar sem estranheza
 
Já não estou preso, tenho a flor do frio da esperança – a angústia
 
Ainda não há o movimento pessoal – liberta as amarras do conforto
Vibra o primeiro passo na água salgada
 
Ainda fica a pergunta quem vai dormir comigo o corpo em fogo
 
O medo mora comigo, Cascais abre-se como vila clara
 
José Gil