terça-feira, 19 de maio de 2015

Mãe 10

à Mãe
à Conceição
à Teresa
à Teka
à Solange
 
 
a mesa está colocada na sala
podemos comer os bolos e as flores
é domingo dia da mãe
quantas mães temos nesta vida
a mãe mãe, a mãe dos filhos
a mãe das filhas, a mãe do neto
no limbo da escrita queremos
uma palavra doce para cada uma delas
avançamos pelas horas da madrugada
vamos ver o mar de Cascais, bem junto
ao oceano com todas estas cartas
a uma mãe presente
 
José Gil

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Cascais 5556

(à minha esposa linda linda, Solange, estamos quase juntos)


vem lã branca cinza no vestido curto com que percorres o oceano
são passos de água, ondas onde mergulhar o silêncio na fenda do
gemido, habita a instalação da alegria na vila do sol de inverno
há duas casas brancas por construir junto ao sol na humidade da
noite nos musgos dispersos pelas ruas claras

fala-me de amor sem palavras, é linguagem isolada, crente na
doçura da língua na perna, o ouvido bem apurado na música de
fundo, o som da vida.

José Gil

Cascais 4567

(à minha esposa linda tb com muito sol, Solange)

bebe com os lábios entreabertos as folhas do sol escrito

o poeta refugia-se na cozinha velha e branca com chaminé
junto ao fogão, com o pc pequenino e come bananas e
bebe o café dos teus seios no mármore da mesa longa de
madeira para outros voos  e abraços na grande cozinha da
casinha branca no alto de cascais, que vista transatlântica
para o outro lado do oceano, cultiva o lote, planta as árvores,
cria as transparências no vestido da noite, lua quente.

José Gil

quinta-feira, 19 de março de 2015

Cascais 5987

(à minha esposa linda linda,Solange)


voltou no meu corpo o sol e o sal, quanto o esperei
junto à casa, no território marítimo por onde faço
o meu percurso sem saber até onde o teu olhar se
prolonga no atlântico, uma viola para alegrar o espaço
e o cristal do vinho bem junto à sabedoria amorosa
fala-me de bondade, de curadores no espírito que
procuramos em dezembro é o mês dos encontros
todos recebemos a água da fonte do monte verde
e fresco de mel e pinhão.

José Gil

terça-feira, 17 de março de 2015

Cascais 7778

(à minha esposa a quem peço o colo ao nascer do sol, Solange)

de chocolate te conheço a pele com ginja que Deus criou
um vinho doce para tocar os mamilos logo de manhã com
o frio das sete e meia em que nasceu o sol para Cascais
dia dois claro como a vida dezembro adentro como um corpo
belo, preparo o banho mesmo gelado com o vento nas ondas
do oceano onde rola o surf vigilante

traz a alma para o meu corpo aquecer toda a luz da dança africana
traz a terra para plantar a figueira meu amor, meu amor não há
longe nem distância entre os dois.
José Gil

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Cascais 9897


à minha esposa linda bem junto da minha paixão, Solange


nada é mais importante que a paixão em framboesas na  praia da Conceição
na vila de Cascais, depois do frio dos banhos fomos ao mercado de Carcavelos
procuramos feiras e mercados é época de mel e queijos, tudo procuramos nos
corpos bonitos de todas as cores no calçadão hoje com muitas ondas revoltas
entre estoril tamariz e praia das moitas cascais, procuro os teus seios no fato
de surf todo o corpo se desenha sensual, que umbigo procurar junto ás pernas
para tocar todos os sentidos e sentimentos, nada é maior que a paixão eterna,
como o apaixonamento pela vila

José Gil

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mãe 9


(ao José Dias Egipto)


Mãe é sempre a noite que temos mais medo como quem
apanha amoras e folhas de amoreira na Av.Grão Vasco
não passa ninguém, não há ruído mas tudo é frio e solitário
como te explicar o desemprego a crescer na nossa mátria
mãe – há senhores que guardam relíquias de outro tempo
é o primeiro de Maio estamos livres mãe e temos medo
as casas não se iluminam e a música é alta e clássica
 
mãe temos que ser eruditos, falar das calçadas do sol
ao rato e procurar outros sonhos para esta noite branca
Lisboa só começa dentro de cinco horas em ponto
O bicho da seda é um monstro  quando crescemos e o
Casulo não é o que desejamos muito menos a borboleta
Dos poemas esse ritmo de imagens em ruptura umas
Com as outras no corpo interior sem espelhos
 
 
 
 
José Gil