sexta-feira, 4 de março de 2016

O protocolo de Sião 3

(aos que atravessam a Europa em fuga da guerra e da fome, pela vida)
(à minha princesa, Solange, meu amor)


distribuiremos o pão e a casa e o trabalho por toda a europa como
o número dos teus dedos e as festas que me fazes de noite em todo
o corpo, amo-te como a luta dos escravos destas ditaduras no mundo
pela paz, pelo direito à liberdade, pelo dever da igualdade, é aqui que
queremos morrer dizem em coro todos os refugiados sabendo em que
território já estão
 
beijo-te os seios com a alegria do novo vestido, a moda é também uma
tirania da imprensa especializada e internacionalizada de todo o universo
rico e vaidoso, corro os caminhos do mapa da nossa terapia física


José Gil

O protocolo de Sião 2

(à minha rainha amada,Solange, moça linda, namorada eterna)

eu não escrevi este poema como se prova pela assinatura no final
trazes na praia as sandálias romanas com argolas de ferro nos
tornozelos, uma argola também de ferro no pescoço,como os
antigos escravos, submetes-te à mesma ditadura da Moda clandestina
aqui neste Monte Sião

chamam-me ainda pedreiro livre desde que adoeci aos teus pés amor
maçon escondido em casa e sempre clandestino em segredo no teu
umbigo de bagos de  romã

os refugiados já chegaram no protocolo de Sião à Europa do Norte

hoje de manhã estava sol inteiro, luz, e eu como disse não escrevi este
poema como se prova aqui pela minha assinatura

Jse Gil

quinta-feira, 3 de março de 2016

55 A

(à minha mulher sempre linda)

Foi bom a tua palavra inesperada, viagem, que vivo só
e a casa com os seus objectos sagrados  hoje o telemóvel
o teclado dos protocolos sábios de Sião  vejo todos os
refugiados e asilados entre os nossos lábios de mudos
para quê mais palavras se as imagens doem tanto no 55A

José Gil

55 ondas

(à minha mulher linda Solange)
(ao poeta José Félix com saudade)

era com alecrim e sal marinho a praia da saudade
entre as tuas ancas e as minhas no mar de Cascais
bagas de romã no teu peito   passou muito tempo
descanso sentado na areia fina do poema em casa
donde não saio para escrever em libertação sempre
és serena e calma namorada das ondas da mansidão 
beijas comigo as dunas de areia do Guincho ao vento
do humanismo solidário em segredo na minha solidão

cismo junto aos rochedos do presente e gostava de ser água
transparente e quente como o teu colo de princesa

desci em armação de pêra em pleno inverno sozinho
ao oceano mais próximo da América Latina para te ouvir
triste e pensativo na baixa maré de areia larga meu sal
marinho em 55 ondas de conversa vegetal e fina

José Gil

Não sei precisar o tempo

(à minha mulher linda em tarde de Sol de verão na Damaia)

não sei precisar o tempo de amadurecer um poema
sei contudo o tempo breve das tuas pernas nas minhas
voamos   o tempo constrói o templo feminino das águas
livres como o mel das boas gestoras das abelhas em cada
favo dourado aberto ao sol do paraíso, alguém canta jazz
no café da esquina ao vento   a tardinha de Florbela na Amadora
e tento dar-te a mão na calçada para casa

José Gil

quarta-feira, 2 de março de 2016

Moça à Janela (1)

(ao grande poeta Gonçalo Bruno de Sousa)
(à minha namorada linda moça Solange)

deixai o tempo roer as unhas dos nossos dias
estás à janela a ver o oceano e através dele vês
os meus olhos da sua cor em Lisboa

uma pintura azul como o teu vestido novo, as
ancas justas para a sedução do verão  será 3ª feira
o dia mais feliz onde a alegria espalha o vermelho
nas ruas da minha casa em alcatrão bizarro, escasso 
e negro do pano deste poema

José Gil



(1) inspirado em quadro de Dali com o mesmo titulo

terça-feira, 1 de março de 2016

Terceiro dia da libertação

(a meu amor Solange)

subi as escadas do grande destaque do nosso amor
subi aos seios claros do corpo erguido ao sol e mar
de tudo um pouco salada de pêssegos maduros e
frescos como o teu cabelo nas minhas mãos, skype,
do nosso diálogo longínquo  como um baile  da nossa
vida verde ao amadurecer

José  Gil