quinta-feira, 9 de junho de 2016

Prunus amygdalus

(ao meu amor, Solange, em Itabira de CCLA)
 
o mundo dos justos bem junto à pastelaria Careca
escrevo e bebo o café com o meu neto que brinca
com o palmier, trago ainda no bolso a amêndoa
(Prunus Amygdalus) de ontem, uma imagem do meu Algarve
da ideia de casa do mar que se adapta perfeitamente aos
nossos corpos líquidos
 
Deus sairá do que é bom no mundo dos justos em caminho
de um lado para o outro do mar, felizes entre o peixe
e uma amêndoa
 
abro a casa em armação de pêra doido por ti, entre os
beijos nesta altura de amar uma lição da tarde
 
beijo-te o café e a amêndoa em várias formas,
Prunus Amygdalus
 
José Gil

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Alma combinatória

à minha esposa linda e jovem, Solange escritora


há na pedra portuguesa em que me dói pisar
um tanto de gozo e outro de sangue, como o ventre
um desassossego de paixão calado e tímido por ti

há na alma intercontinental em que me deito
um eterno quê de pedra e de fado como se de
reza fosse o meu destino por entre as pernas
resguardando cada um dos meus pecados

toca como as pedras macias todo o corpo quente
de mel 

há na pedra portuguesa em que vive o meu ventre
um luar de Brasil outro de música ou na fresta de uma
pátria repartida na língua bem longa do prazer 

há um mundo tão cobarde em que me perco do 
enamoramento constante em que uma rima ou métrica
é inventada, cada vez mais depressa, cada vez mais lenta
uma alma brava

há em meu corpo um sim sempre presente
que insisto em fazer de minha estrada

ou um não de romãs para mudar tranquilamente 
de estrada da alegria amada

José Gil
 
(revisto a 2 de Janeiro de 2016)

terça-feira, 7 de junho de 2016

Poema 118 de amor

Tangerina

 à minha namorada linda Solange


 
Um escritor cresce com o suor dos defeitos amados
E a sensação do tempo, sempre pouco tempo para
Seleccionar as folhas que o escritor escreve no mato grosso
Da relva da manhã a nascer do ventre erótico da madrugada

Cinco horas para o primeiro comboio de beijos no umbigo
Vou para Praias do Sado de comboio todos os dias
Se não fosse professor seria actor ou poeta tangerina não
Uma laranja mecânica como o filme do amor rápido
à primeira vista, num ritmo de gentileza trocam-se emails
Em Serpa literária terra do húmus que cresce quando cala
A boca o escritor, na tinta que falta e num berro d’água
Assim escrevo não dormindo no teu corpo de gazela, leio,
Lindo quadril de égua selvagem e feliz na floresta e no lago

São as três ocupações do professor e do poeta ler com
Alegria e escrever com consolação abaixo do ventre

Um poeta trabalha no sol energético
Paixão de ar e lua, fogo e água como
Eurípedes e Aristófanes as aves lutam
Contra as regressões o poeta ama a verdade
Pura e sagrada do teatro do vazio poético
O poeta nunca se revela nu, escrever é como
Construir a máscara com ou sem máscara
No rosto do actor que esconde e mostra como pera
Rocha e abóbora no forno todos os dias em jejum
Serei irmão de todos os meus irmãos como o
Azeite e o vinho num sangue puro sem raiz

O escritor canta até doer as mãos e sonha com o seu amor
E sonha com uma mudança no novo ano numa ladeira em
Azulão

O poeta subirá a montanha para ficar limpo em oração
Com a sua namorada esperará pelo Messias

Dezembro/Janeiro - 2008

José Gil

domingo, 22 de maio de 2016

Poema de amor 150

à minha namorada de amor diário, Solange

transporto a maçã no colo como um espasmo de palavras decifradas
voo entre as pernas vegetais dia-a-dia o mês de dezembro, vais chegar
amor ao conventinho da arrábida do teu corpo, às suas reservas naturais,
sonho tudo fechado em casa enquanto como contigo boas cerejas do
Chile, chegadas de Espanha. comendo elas atravessamos o jardim de
Benfica de mão dada, lentamente até ao nosso larguinho espiritual, escrevo
como um romance em triângulo, uma saudade de Setúbal próximo da serra
e do castelo de Palmela, vista para o mundo e o oceano, cristal dos teus
seios na muralha da estalagem

José Gil

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Cascais 31

ao José Félix e ao Carlos Albino
 
rasgo os braços na percussão da Kembi, Sukata
Costa da Caparica bem junto ao Oceano, trago o fogo
da última falésia em Cascais e o sentimento doce
da morte, é a perseguição das casas junto à praia
 
há mexilhão, o país assobia mas todos estão na maré
baixa, faliu o fado como uma flecha nas lágrimas de
Chopin, José, um albarquel junto aos barcos e uma voz de
vertigem. quem será o próximo a morrer na luta de
substituir a canalha, como escreves “nem Chopin disfarçadod
de romântico” as moças gostam de dançar no átrio da escola
descobrem a outra margem do social pobre, um cantor estroque

é 2ª feira a semana académica para um país que é um barco no fundo
retira o coração, os alfinetes podem segurar as veias do coração,
é o amor, é o amor

 
José Gil

terça-feira, 19 de abril de 2016

Poema de amor

(a meu amor lindo sempre Solange)
(a Caldeira Duarte autor de" Mataram as Searas" Chiado Editora 1-12-2015)


tenho que bordar o oceano com a ternura desta carne cor de rosa no azul
dos dedos que escrevem o branco caminho da tua vinda em Agosto, rendas
claras da tua saia rodada para viajar pelos lugares das tuas ondas de carinho
comerei as cerejas secas e doces de inverno dos teus seios ausentes das minhas
mãos com flor de laranjeira das saudades do chá do enamoramento escrevo
o poema na tatuagem do corpo no corpo sagrado

José Gil
1-12-2015

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O que não tem asas

(à minha mulher linda e jovem, Solange)


o que não tem asas, dobra a coluna vertebral do corpo novo
seguro-lhe nos cabelos curtos como a memória rouge do dia
passamos o passado de futuro em futuro no ponto dos mamilos
há um doce de marmelada branca em cada boião de vidro transparente
onde o corpo procura o outro lado do outro corpo bem ao invés
do coração da língua