segunda-feira, 4 de julho de 2016

Poema de amor

à minha Princesa Solange
a pedra da tardinha para a noite, o sol puro,
vira-se a lua para encontrar a sequência,
o telhado ainda não foi colocado, fica
no rés-do chão com o vento que roda
  à volta da mesa o sol do quadril doce, volta-te

viva a tardinha fresca, o momento do invento
queria escrever um poema e só sai logo
o aroma do pó da pedra e do alecrim,
muda-me a sorte, muda-me o destino

os monges saltam as pedras junto ao rio
cada poema é uma oração, a vida uma
catedral, fresca a tua nave sobre os seios

interliga o desejo e a fome como o ardor,
vivemos onde menos se julga o andar
por terrenos soltos que mudam a viagem


José Gil

Poema de amor

(novo ano amor novo e forte para a minha namorada sempre, Solange)

escrevo-te em silêncio, como um pássaro em voo na pomba
as palavras são doadas, como um Deus moço

as mãos conhecendo o sentindo sentido das pernas de alto a baixo
só os dedos perdidos no chão chã do cabelo


a ansiedade toma-me vivo e choro nas paredes, a saudade
da casinha  foi por destino do barro cinzento junto
à linha, coração urgente, logo de manhã que 
medo e o sol vai dourando, o meu coração viu
depois no teu colo negro a cruz, fui ter à mesa o teu
copo de vinho nas tábuas deste meu fado e choro
como uma túlipa junto ao corpo e é corpo duro seu
olhar, eu te acompanho sempre da lua e do luar

José Gil

Poema de amor

deito as cerejas no umbigo, cor de verniz
os dedos rolam as redondas do corpo em
construção como a casa sobre a rocha

abrem-se as cerejas em palavras de vento

a frescura do calor imaculado sobre a pedra
da mesa longa, o teu corpo dobra-se no lugar
do umbigo e desce e sobe ao sabor da língua
nas cerejas em construção, elegante o corpo
junto à lágrima, avança o umbigo azul onde
quebram os dedos da casa, mão larga e lenta

no olhar do céu azul e cereja e branco como
o corpo envolto no lençol do leito imaculado

José Gil

Poema de amor

as laranjas em gestos épicos de sumo
cristalizado na frescura do teu corpo,
nas varandas da linha do horizonte
do casario em que tudo se perde nas
praças da tua cidade e em lisboa no
lugarejo das laranjeiras em sumo simples,
no teu colo onde tudo se ganha no centro
das coxas junto à fonte – a fome do vidro
espelhado – projecta os teus cones no 
reflexo húmido da montra os livros e as
suas folhas em casulo – pele na pele, letras
negras na pele negra em sumo de noite

as laranjas rolam no soalho do sonho
em sonho, sonhando que sonho e acordo
fábrica de sonhos para a bela arteira

José Gil

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Poema de amor

bebo o lugar do silêncio na aveia
a inventar outra palavra
com a luta, resisto
no colo, bebo sagrado mel

na erva que agarra a pele quente negra 
qual grito que se procura
entre dentes

construindo a casa na pureza azul
e com a infância de lado 
areia ou rocha

voa lenta, senta-te, deito-me e sinto-te
no lençol de linho e um copo de vinho
pinheiro da cruz

José Gil

Poema de amor

de todo o eixo vegetal do mundo 
nasce a glória clara, imensa viagem

hoje berlim, respiração ou pedra, onde
apenas os reflexos da chuva nas cerejas
latinas, o sopro na tua face, a tinta da água
do outro lado da face do espelho vegetal. na
glória incerta dos mamilos onde nada fere a
imperfeição a alegria corre pelo peito amplo
errante como o leite no umbigo – o tempo
passou acordes dos anéis de noite no mar de s.pedro

José Gil

Poema de amor

Os teus cabelos vermelhos sobre o centro e o triângulo do corpo
Cruzando a linha em que me perco nos seios, “não posso deixar de
Te olhar” no cavalo na lateral do Lote de Itabira, filigrana para os
Meus dedos negros de ouro vibratório nos teus lábios de grafitti sensual
 
No teu ombro depois no quadril forte contra a mesa forte de madeira desenho a carvão os teus olhos em cabelo de limão cinza, passa por ele o seu enrolar de leite de moça no teu corpo.
 
José Gil