quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Poema de amor

como se podem articular os espaços ao sol,
a tua sombra persegue-te e eu caminho nas
intenções azuis, o diálogo do par de morangos
e chá de cidreira para a visibilidade do suor do
amor, memória crítica no lugar integrante do
futuro em relação à ética do enamoramento,
plenitude de existência com o aroma do diálogo
interior alicerçado na beleza exterior, belo corpo
da levada nas mãos próximas dos olhos negros mel,
prova absoluta, pernas cruzadas no coração da 
cereja azul qual ginja de jeans claras, pontes de
afecto o corpo, flui há sintonia,

José Gil

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Poema de amor

(a meu grande amor, Solange)

ainda é noite no poema, em março já não será
as seis horas do corpo da manhã para te alegrar
os mamilos e um chá de carqueja com uma torrada
para voar sobre o teu ventre sem parar, amor de
saudades jamais chorarei

branco o luar de geada para sentir que estou aqui
violetas para decorar os teus seios com leite de moça
e avançar nos campos junto ao céu.

José  Gil

sábado, 10 de setembro de 2016

Caiamor

(à solange minha princesa)

Abóbora com pêra rocha no forno do teu colo
Como devagar com canela, escrevo depois no
Arroz doce o teu nome, o teu amor desejado
Na Estrada a Damaia, novo caso, tempo novo
Os dedos nos lábios, a fruta fresca, o namoro
Do amanhecer, seis horas da manhã para te
Abraçar por uma nova semana

Inquietações e mudanças dos dedos nos cabelos
Mel e kiwi, pinhões e nozes, fava rica, avelãs
Entre a fazenda e a casa, imagens, a descoberta
Do osso crú, delícias do umbigo, esfera de energia,
Respiração vã, a linguagem muda do gemido,
Dedo a dedo leite de moça

Do outro lado poeira de minério, saudade, pó só pó
No visível de pensar, o desejo de criar filosofia das
Emoções, subida das águas quentes no quadril que
Se levanta e cruza, arte performativa e dança
Poeira liquida corpo a corpo vegetal, o reflexo do
Desejo de criar, corpo espelho nu, junto a ele o
Lençol bordado, trancinhas de palavras no teu cabelo
Longo e encaracolado - até ao sabor dos seus lábios
Um desafio para a língua larga, as palavras têm
Corpo novo, a dualidade dos sexos em espuma

Poema para levar no bolso, abóbora gila, o desejo do
Pássaro, a sede
Palavras de marmelo, partilha de prazer único no teu
Coração de cereja, sentimentos de alegria e choro,
Música brasileira - transversalidade do oceano
Estou a fazer um ensaio, inquietação provocada pelo
Caos dos seios fartos na mesa do escritório à beira do PC
Desenho depois a lápis os mamilos, a ousadia do amor
Aos 50, a ousadia do mar, frio beijo a beijo o beijo a nu
Do corpo infinito sempre interior às raízes do pensamento
Estético praxis das pernas, dual sexo com perfil raro na fome
A matriz do veludo entre o fazer e escrever, vida e morte, experiências
Do erotismo significativas.


Um passeio pelo jardim muito escondido no silêncio na casa das
Pessoas no parque do Jardim Botânico, Museu da História Natural
Outro espaço interior sobre o desejo em cada grande abraço de poesia
Movimento música dança

A inquieta tranquilidade das pombas entre emoções com fogo

Cai amor onde me deito no teu jardim natural de relva fina
Deixa enrolar o cabelinho nos dedos do actor, que eu sou,
Nas pontes dos sentimentos, pica o amor a fruir no livro aberto
A holística arte do género, o favo de mel de urze dos afectos, fruição
Do tempo e sem muros todo o espaço doce

José Gil

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Poema de amor

(A meu amor lindo, Solange)
 
Voa a escrita devagar no ombro que te toco
Roda o corpo para a dança das canções matinais
Em Águas Livres - lugar da casa do vinho e das
Romãs
 
Vibro as pernas nas tuas, é o romance da água
Na salada de pêssego em julho na Colina
Fibras, suco de laranja, a carne dada em silêncio
Só um gemido trabalhado, a carne muda, silêncio
Segredo animal à solta, liberdade de um fumeiro
Do teu abraço do coração verdadeiro
 
É janeiro e há uma mulher transparente com
O coração vermelho em Itabira
 
José Gil 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Poema de amor

"A quem sabe esperar o tempo abre as portas."
(Provérbio Chinês)


dobro o tempo no eixo da mesa, atravesso-te no lugar do umbigo,
um poema curto em redor das faces do  relógio, soluço irredutível,
mãos  puras e  dormentes no teu regaço, enrolam-se  no veludo
do teu florido negro sombra e palma, enlaço de ervas e folhas, o
rosto do lábio como o ar na minha língua, espero devagar o passar
do tempo, uma linguagem de escultura com a pele à mostra, desejo
abraçar todo o animal junto à parede da casa, bem na rua onde chove

chovem as palavras e os teus saltos na calçada, é outono e o corpo vivo.
as pedras rolam ainda devagarinho do teu jardim como areias sensuais,
estamos na estrela, é uma tentativa de gestos  esvaziados de alcatrão

José Gil

Apologia para Domo

 
durmo na folha verde, a causa dos índios.
devo permanecer sereno e dono de mim
mesmo até nos sonhos  - de noite ainda
espero outro alguém na mesma relva,
gelo, gelo para os dedos da alma – um
partis pris da vida secreta para um poema
em guignol na ambição única da arte,
uma arenga poética, uma zanga com
cogitus interruptus a quem vive na
inviolável solidão
 
José Gil

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Poema de amor Sevilha 2013

Voa pomba branca, neve no mar da rua escura brilhante
 
Quando caminho no alcatrão do desejo, onde estás?
Escreve-me em romãs de janeiro na maré vermelha, casa a
Casa um lugar do tempo novo

Ouve a carne viva cor de rosa catedral da tua voz,
No cantar brasileiro Bethânia, Chico Buarque, Caetano,
A luz da música popular para o coração se quebrar
Em choro de saudades teu jeito de amar, não estás
Noutro tempo, estás aqui agora, voa pomba sobre
O lençol branco da cama larga e vamos viajar.
Primeiro Espanha, Sevilha com amor no ónibus nocturno, namoro
Por uma noite os laranjais de D. Juan, leve luar quando
Chegarmos e depois Praça de Espanha em Barcelona,
Velho país como o nosso  onde a juventude voa como as pombas
Brancas no pomar

Quem quer dançar entre as árvores, dança o samba nas
Portas do Sol na capital ou na nossa no Miradouro da
Senhora do monte
Um território acorda o outro de pele,
Sempre a saudade da carne, chorinho.

José Gil