quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A fuga da palavra 7

(À minha princesa do mundo intercontinental, Solange)
 
 
Voa no perímetro da maçã verde
És tu, seguro-te dura nos dentes,
És o rigor exemplar da terra fértil
E escura
Não tenho areia nas mãos, nos teus seios
Só brilhantes de cristal, quente a pele
Do café, só café duplo para beber
O leite branco, vou escrever à tua frente
Em Agosto na área da aresta da mesa em
Que estás deitada de joelhos na casa da
Hipótese, meu cão da esperança
Para encontrar logo a palavra
Justa.
 
José Gil

A fuga da palavra 6

(À pretinha linda Solange)
 
A fuga da palavra entre dois continentes
De vinho e fruta, uva e manga, maçã e coco
Passou o navio no mar descabelado do atlântico
Levava a cortiça da tua árvore sensual em
Seios de mel e força,
 
Passou a vida na
Terra de Minas.
 
José Gil

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A fuga da palavra 5

Bebe a Bíblia pelo lado do vento
Habita a palavra nesta casa
Pequena dos subúrbios
 
Carnuda a boca, espera outros
Lábios vermelhos na tua face
Branca
 
Chegará Agosto e o sol para dourar
O rosto, amor movimento abissal
De todo o corpo sobre a cama, esperança
De nomear o inominado na circunstância
De amar de mais
 
José Gil

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A fuga da palavra 4

(à minha rainha Solange)
 
Traz a águia no flanco, uma palavra de rapina
Eu lembro-me de Belo Horizonte há onze anos
Quero segurar o colo e a língua, o cabelo mínimo
O mel bastante para alegrar  Janeiro para a luz
Da felicidade memorial  de todo o animal selvagem
Um desejo de lençol de linho quente, um olhar
Preso a uma face encantadora a abraçar
Carlos Drumond de Andrade, a foto do facebook
 
Contra a solidão que parte com o sono, beijo-te
Para uma palavra em fuga para Itabira.
 
José Gil

A Fuga da palavra 3

(à minha rainha Solange)
 
Abre os flancos no côncavo do meu peito, deita a cabeça
A lua cheia e complexa da leitura do poema, o cabelo
Vermelho angelical, a casa mais clara de Minas, dobra
As pernas na mesa, um copo de vinho de saudade, o telhado
Do terraço da mão dada, não posso deixar de olhar para ti
A palavra em fuga no recanto da tua asa negra, o precipício da Vida num lugar feito poente, traz o brinco que eu nada esqueci
Para fazer um anel da nossa união - uma cereja fresca
Para dar canção, para dançar.
 
José Gil

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A fuga da palavra 2

                                                            à minha princesa, Solange
 
 
Abre o braço da asa inferior por um carinho
No caminho das uvas do sol da mão por um dia
Claro, numa manhã de Janeiro
 
Fico como sempre, em casa onde regressei vivo
Por um descanso solitário numa estátua de corpo
Total junto ao peito, cristalina a lua do novo tempo
A posição da janela onde olhas o movimento
 
Abre a asa da casa, a portinhola da anca, vamos voar
 
José Gil

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A fuga da palavra 1

Um dia faz-se, constrói-se enquanto cantas
vem do duche, no outro canto da casa a tua
voz, encantas enquanto respiras solta
o teu abafo

Na manhã aberta muito cedo, vibra comigo
Este caminho, estrada 96. Por um memorial vivo
A casa de pedra, o lugar dos amigos, alta, alto
Falas nas ruas da vila da praia, nos subúrbios da
Grande cidade por uma romã nas ancas, a
Igreja está aberta para a missa das sete horas

Os barcos chegam, a terra toca a lota e beijas-me
Quero um país mergulhado todo o ano no sol
Sombra só nos mamilos castanhos por uns seios
De canção brasileira.

José Gil