quinta-feira, 19 de março de 2015

Cascais 5987

(à minha esposa linda linda,Solange)


voltou no meu corpo o sol e o sal, quanto o esperei
junto à casa, no território marítimo por onde faço
o meu percurso sem saber até onde o teu olhar se
prolonga no atlântico, uma viola para alegrar o espaço
e o cristal do vinho bem junto à sabedoria amorosa
fala-me de bondade, de curadores no espírito que
procuramos em dezembro é o mês dos encontros
todos recebemos a água da fonte do monte verde
e fresco de mel e pinhão.

José Gil

terça-feira, 17 de março de 2015

Cascais 7778

(à minha esposa a quem peço o colo ao nascer do sol, Solange)

de chocolate te conheço a pele com ginja que Deus criou
um vinho doce para tocar os mamilos logo de manhã com
o frio das sete e meia em que nasceu o sol para Cascais
dia dois claro como a vida dezembro adentro como um corpo
belo, preparo o banho mesmo gelado com o vento nas ondas
do oceano onde rola o surf vigilante

traz a alma para o meu corpo aquecer toda a luz da dança africana
traz a terra para plantar a figueira meu amor, meu amor não há
longe nem distância entre os dois.
José Gil

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Cascais 9897


à minha esposa linda bem junto da minha paixão, Solange


nada é mais importante que a paixão em framboesas na  praia da Conceição
na vila de Cascais, depois do frio dos banhos fomos ao mercado de Carcavelos
procuramos feiras e mercados é época de mel e queijos, tudo procuramos nos
corpos bonitos de todas as cores no calçadão hoje com muitas ondas revoltas
entre estoril tamariz e praia das moitas cascais, procuro os teus seios no fato
de surf todo o corpo se desenha sensual, que umbigo procurar junto ás pernas
para tocar todos os sentidos e sentimentos, nada é maior que a paixão eterna,
como o apaixonamento pela vila

José Gil

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mãe 9


(ao José Dias Egipto)


Mãe é sempre a noite que temos mais medo como quem
apanha amoras e folhas de amoreira na Av.Grão Vasco
não passa ninguém, não há ruído mas tudo é frio e solitário
como te explicar o desemprego a crescer na nossa mátria
mãe – há senhores que guardam relíquias de outro tempo
é o primeiro de Maio estamos livres mãe e temos medo
as casas não se iluminam e a música é alta e clássica
 
mãe temos que ser eruditos, falar das calçadas do sol
ao rato e procurar outros sonhos para esta noite branca
Lisboa só começa dentro de cinco horas em ponto
O bicho da seda é um monstro  quando crescemos e o
Casulo não é o que desejamos muito menos a borboleta
Dos poemas esse ritmo de imagens em ruptura umas
Com as outras no corpo interior sem espelhos
 
 
 
 
José Gil


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Mãe 8

Nem o azul vento do oceano
Nem o portinho abrigado de Armação
Te dirão quanto te admiro
 
O vento corre na turbulência da
esplanada da Nilo, entre a razão e a
leveza do café e da empada, há outros
caminhos azuis do Portinho a Portimão
 
Traz o pão de Santana da Serra e Monchique
Podemos tomar o chá de tília ao 1º de Maio
 
A casa ficará sempre iluminada pelo pai
 
Nem o azul da sua ausência, nem o oceano da sua
Presença, te dirão novos poemas
 
José Gil

sábado, 12 de julho de 2014

Mãe 7

Podemos falar de uma romã como um mãe que se guarda
entre as ondas do oceano e a casa nova no bairro velho
um jardim de figueira e amendoeira em flor
os figos novos
 
as novas palavras no mar ao fundo onde nasce o sol
conheci minha mãe sempre grávida somos nove em escadinha
como a capela da fortaleza e uma coragem de árvore de fruto
 
uma onda de romãs sobre o mar-chão os olhos verdes
 
a praia ao fundo onde crescemos com algumas rochas
 
percursos muito difíceis de lutar com antigamente
 
a maior parte das pessoas não conheceram as quinze  mil que foram
presas políticas em Portugal ao sul da Europa e da crise
na brutalidade dos anos sessenta e setenta
 
vivíamos de falsas notícias e de invejas
teremos o instinto, mãe, de não voltar atrás 
 
oceano vital de sumo de romãs entre letras vivas de coragem   
 
José Gil

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Mãe 6

Ainda não escrevi a casa e a figueira
como um poema ás costas das janelas
uma porta junto à cozinha e um mundo
parado, no caos das cidades desesperado
o silêncio atravessa as ruas sem ninguém
 
 
quem vê a casa, o sol e os carros
sem passeios o vinho Alvarinho
dos melhores lados de Melgaço
 
ficamos os dois a olhar o mundo
entre as letras e o cultivo
das castas bem longe de benfica
 
José Gil