quinta-feira, 14 de julho de 2016

Poema de amor

Escrevo como quem atravessa 
a pele das tuas asas,
as pernas abertas e rápidas de
gazela selvagem, procuro-te para
um trabalho de hortelã e mel,
bate as tuas asas nas minhas,
é Lisboa e
sinto-as sagradas de luzes 


Sonho-te noutro lugar em tudo 
o que me ficou dela,
O meu instinto, o meu exílio, mais
nada posso dizer.
Falta-me o cílio, a pedra dura.

José Gil

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Poema de amor

(Dedicado a  “por vezes a lareira”  de José Félix 
e a meu amor grande, Solange)


Em Dezembro,”por vezes à lareira” 
na manhã cedo 
da alma inteira, o homem 
no homem das emoções 
profundas rente à parede 
num desassossego de angústia 

vago luar ainda nos sonhos 
desta noite, entre a solidez 
das cerejas destruíram a falta 
de afecto como a tarde de 
sol, batendo no outro sol do 
desassossego do poema 
no cuidado do limador que 
comigo escreve sem metafísica 
no interior da sombra dos teus 
seios íntegros de Inverno,
numa linguagem requintada de 
tantos beijos, olho-te e 
só vejo os seios da terra trabalhada 
como o relógio do 
descanso – vivo na realidade interior, 
fascina-me a minha mão,
a tua mão agora na rocha e na escarpa, 

vamos subir 

José Gil

Poema de amor

(Às mãos lindas do meu amor nos seios, Solange)
 

as mãos não precisam de flores, 
têm pétalas 
dos dedos escorregadios 
onde nasces, 

seguro-te a 
mão – traz muito pó das obras da rua 
mesmo em 
frente ao poema, mas o calor das mãos 
passa entre os dedos das janelas 
com o pó da ama - olho a tristeza da sombra 
e do 
anoitecer, abraço-te com o último amargo doce 

não 
tenho estratégia, o poema derrete este 
chocolate nas tuas costas de 
abraço, dobra não tenho plano, trago 
o papel e rendo-me à flor
apenas um lírio vermelho e os dedos 
e as ancas únicas como 
a primeira vez na fatal linguagem do desejo, 
são ambas no presente, enterneço e sinto,
tremo e falo em linguagem gestual corpo a corpo.
 
José Gil

Poema de amor

(A meu amor com saudades de Agosto na Damaia,
 Solange amor maior)
 
coloco os coentros ao sol como eu 
nos bancos do jardim da praceta 
antes de subir a escadaria de pedra 

fugi dos carros para as cenouras e 
os pepinos – estraga-me a auto-estrada,
não é lenta como o amor, fico assim 
com o meu sol o grito interior 
e o grito exterior e a respiração do 
pinheiro quente e do musgo ainda 
perto "da lareira" por dentro da folha de papel 

de mansinho digo: dobra-te só este sol, encanta 
os peões como as palavras pequenas 


José Gil

Poema de amor

"Matéria e forma na criação artística"ARR

a meu grande amor diário, Solange linda e jovem


o corpo fala um poema devorante até ao infinito vegetal,
o objecto tende a metamorfosear durante o fazer do amor
um belo copo de vinho Pinheiro da Cruz - o conteúdo da
comunicação em escalada de membros como palavras
multifacetadas são a ausência da coisa.

para evitar o longe e a distância do outro lado do oceano da
ilusão, vazio não há na palavra, o sacrifício de outras coisas
vegetais ou de fruta marinha do real escriturado todos os dias
de madrugada.

acordo todos os dias com o meu corpo sonhando o teu, explode
a ruptura - onde estás? aqui junto ao mar na Quinta da Marinha a
transcendência do prazer próprio do discurso na distância
inapreensível, mel e lábios, o objecto do poema é o próprio poema
e o sujeito do corpo e o corpo literário, folha a folha do principio
aos pés da língua do poema, até ficas desprevenida, na fresta imanente
da concentração, na fusão de sensibilidades outras.

cingir então o objecto poético e penetrá-la sempre duvidoso e incerto
com o início da adesão das ancas na claridade do prazer 

a tatuagem da minha mão com música brasileira 

descobre o corpo humano como um graffiti urbano na noite
até saber a velocidade da energia ritmada do coração, como te
amo, obscura luz em janeiro.

José Gil
7-1-16

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Poema de amor

(6 de Janeiro 2016, 12h, hospital) 


“a palavra poética é um acto em ruptura”
Casimiro de Brito

Trago contigo uma moça que raramente viu o mar em Minas
Milhares de rostos de pó, alienação do minério impera em
Itabira – eis o teu homem respirando a tua saia em dois mil
E seis unidos no amor do bafo por umas mil e umas coisas comuns
E distintas em Lisboa à beira do rio Tejo, recordando o drama de
Mariana à beira lama, desocupada na tua rebeldia luminosa do
Desejo numa união do oceano atlântico

Fingir é conhecer, estou aí amor no gemido ouvido num silêncio
Habitado ao teu corpo sobre o meu, onde se cria a criação.
A minha poesia é polifacetada como os teus seios rosa claro e escuro,
Fome de pele
Dos  dedos de caramelo em brasa,
Leite creme cristalizado entre as
Duas línguas sobre os mamilos
As mãos no orvalho do fumo da relva
Do teu jardim nesta memória deste café
Onde se conserva e conversa
A linha do sol, o verão no Brasil,
A cachoeira dos dias de namoro como
Aqui hoje a chuva e a neve da estrela
De Portugal ou outra neve presente
Em toda a serra de Montemuro-Viseu-
Onde o teu corpo em Reriz dança nú
A musica poética brasileira ao longo
Dos anos. Raro, raro nua bebes para
Aquecer o chá branco Pai Mu Tan.
Das tuas ancas nas minhas
Corre a cortina do mais cerrado nevoeiro,
Voltamos para a roupa e o carro para
Envolver chá formosa Oolong

Aquece amor um bouquet de rosas dentro
Do carro para um romântico acordo a dois,
Deita-me  nas folhas de eucalipto do banco de trás,
Pinhas para acariciar as tuas costas de cima a baixo

Depois chá verde com aroma de cereja japonesa
Como no Império dos Sentidos
A abertura ao mundo antecede a poesia
Nos teus lábios, jogo criador entre os joelhos
Mexo a mão nos joelhos e na totalidade do
Corpo entre jogos e fantasias por um carro
Em pleno nevoeiro e principio de noite  na neve,
Sinto todo o teu fôlego por uma respiração com
Gemido na nova visão do ventre - evasão.
Eu estou alegre, outro copo de vinho fresco,
Mesmo longe, mesmo distante do Hotel de
Belo Horizonte, 33º, os nossos caminhos
Chegam em palavras verbais e orais mesmo
A dolorosa palavra da esperança cada sábado à tarde.
Solta as raízes do próprio corpo, o imprevisível
Seio direito. Aqui no quarto chove e o poema se
Recompõe-se  no  mar por outro corpo quente de chá
Branco, o chá das princesas como tu, o triângulo,
A evidência das ancas, o processos poético dos glúteos
Como o aberto armário na ambiguidade de interrogar o real,
Ruptura com o desenho feliz dos teus seios no tampo da mesa
Do escritório a claridade do amor que te escrevo na paz rápida e forte,
A sabedoria do enamoramento e do erotismo, Que dizer da estranheza
De tanto desejo na solidão rugosa

Estamos sós e vivemos pela poesia adentro. Fora e dentro
Uma extrema concentração no global sensível, toca-te
Ambiente natural vegetariano em que o chocolate aquece
Leite de moça no próprio coração da coisa, o orvalho, o cabelo
Deslizante de um calhau para a lua cheia de esplendor.


José Gil

Poema de amor

à minha mulher eterna, Solange

o poema está a ser magoante
no corpo lívido e raro, a 
afirmação da palavra fica no raio
quadrado à hipótese do sujeito estético
magoante, à noite em que o poema se prolonga

nada para dizer na folha curva
quem foge não foge, dói e canta.

José Gil