quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Poema de amor 12

"de azúcar y yerbaluísa
oh! qué ilanura empinada
com veinte soles arriba
Qué! ríos puestos de píe
vislumbra su fantasia"

Romancero gitano
Lorca
1924

(à minha mulher jovem e linda,devo-lhe toda a poesia da década, Solange)

uma admiração pastoril

o corpo a sépia desenho na tela da aguarela destes campos, depois
desenho-te a tinta da china mágica sombra do oceano que nos une
mergulho nos cabelos da saudade com trançinhas húmidas como
algas tudo azul e verde, avanço como-te os mirtilos em fruta erótica
de manhã cedo com o seu café e canela e assim sucessivamente quente

José Gil

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Poema de amor 10

o saber alegre bate a palavra-pão
a cidade desenha-se em pó azul
então já não há nada para dizer

posso? Vem! vamos. Agora? a lua cheia
apenas o limbo cortante do silêncio
avanço nas linhas e nos lugares, oiço
a tua respiração, os teus lábios doces
da pedra seca, bato a batida dos dentes
onde a palavra salta, matriz única, minha
moça das cerejas chilenas em dezembro

é o silêncio ainda que oiço
aqui rente ao chão do sol sem sombra
deitado na folha húmida onde bate o
dente até à entrenha do mar, sereno

José Gil

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Poema de amor 9

(ao grande Cineasta Manoel de Oliveira,
a meu amor memorial, Solange)

Poderei dizer com flores no lençol como é transparente o teu corpo
nestes dias de Páscoa voam algumas já secas sobre os teus seios
poema secreto meu amor para tu só saberes, amar-me-ei apenas
dizendo que já ultrapassou os mil desordenados poemas, um eixo
Norte sul que
conheço com os dedos entre as pernas e o umbigo
entre Cascais, Santiago do Chile, Serpa, Sintra, Belo Horizonte no hotel

certo para o amor dado ao mundo imenso do conhecimento
sem hora certa como os telefonemas amor sem feriados nem domingos

gosto tanto dos morangos que descamam na alma viva, no mamilo direito,
virá a casa branca, o seio rosa da minha língua e unirá mais os nossos territórios,
transparentes como os  filmes de amor do Manoel de Oliveira

José Gil

Poema de amor 7

(na crista da onda, vamos a Sevilha

à minha esposa querida, amor eterno sem longe nem distância, Solange)


imagino no futuro Agosto, era um calor que arrefecia

era uma acalmia a crista da onda sem outono anterior e bravo

simulo em casa pela janela do sol um prateado azul o teu corpo para

mergulhar na minha terra o lugar da serenidade, nu, o nosso sangue corria


a noite era quente e o dia solarengo

na crista da onda vejo Colares de flores sensuais como a anca aberta

ao longo da prancha de Surf para o fazer lento e ondulado do amor

onde descansas a tranquilidade  do nosso namoro de dez anos


o mar é esperança amor de corpo a corpo no luar da praia curta

percorro-te as pernas e os rituais da oração são imortais,



vamos do Guincho à Nazare onde crescem as ondas dentro de nós

estarmos os dois novamente em Agosto nem antes nem depois

como um segredo, um encanto ao centro e ao sul, vamos à flor de Sevilha.

José Gil

Poema de Amor 5

(à minha esposa azul de dez anos no azul do mar Solange, linda como as ondas)


O oceano conhece muitos segredos só nossos, descanso sentado no rochedo
do amor no Atlântico rodeado de dezenas de pelicanos e outras aves marinhas
beijo-te, são os seios que dão o sinal da madrugada a acabar, vê em frente o
novo sol em recantos de solidão próprios da casa branca, só livros e folhas,
saudades de tantos abraços, saudades de tantos dias de outro Dezembro no
Paraíso. 

Há muito que não desço como um cristal e a sua lanterna enamorada a praia
todo o oceano traz de vegetal para nos dizer o amor está por aqui, a minha arte
é o teu corpo no meu, a minha escrita tatua a pele das ancas, entre as minhas ancas
como o fogo da lareira da fazenda onde trocamos beijos de carinho toda a
madrugada, design de uma só boca flor de couve coração no teu

eixo, mastro na vaga do teu corpo de ouro brilhante entre as letras de pele escura.

José Gil

Poema de Amor 4

(Não sei precisar o tempo. à minha mulher linda em tarde de Sol de verão na Damaia)


“el día se va despacio,

La tarde colgada a um hombro,


Dando una larga torera

Sobre el mar y los arroyos

Las aceitunas aguardan

La noche de Capricornio”.


(Federico Garcia Lorca)


A poesia encostada ao ombro, José quem eras tu?

não sei precisar o tempo de amadurecer num  poema

sei contudo o tempo breve das tuas pernas nas minhas

voamos o tempo constrói o templo feminino das águas


livres como o mel das boas criadoras do humido das abelhas

em cada

favo dourado aberto ao sol do paraíso, alguém canta jazz

no café da esquina ao vento a tardinha de Florbela na Amadora

e tento dar-te a mão na calçada para casa

beijo-te na orelha o segredo da noite entre rosas de paixão
contra o cacto da solidão toca-te e eu quente desenho o que
o poema não transporta nas pontes das pernas
 

José Gil 
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domingo, 3 de janeiro de 2016

Cascais 28

tu és a luz da minha vida, Cascais
a marcha lenta do Swing e do Jazz
das tuas ancas de espuma junto à Baia
aceita outra palavra de Deus
um anjo negro no paredão
o nosso passeio marítimo de mão dada
logo de madrugada até ao Estoril
se fazemos amor na areia
conhecemos a água e se chove
como hoje conhecemos o oceano
traz a vela na prancha dos sentimentos
o poeta morreu na praia, chora mesmo
sinto as pernas a partir ao som dos motores
traz a vela e a prancha dos sentimentos
a luz clareia as casas, vejo daqui
todos acordam às 5 horas em ponto
solitários, vão avançar para a marginal
não os vejo, apitam outros sonos

 
José Gil