quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A fuga da palavra 12

(à Caetana)
(à Cristina)
(à Solange)


nasceu caetana gil, ao domingo
uma mistura de música de Caetano
Veloso e Gilberto Gil,
às mães a poesia de cada tempo
José, Teresa, Cristina, voltou a
alegria pública

a alegria do corpo renasce em cada
nascimento, a coluna tripla da alma
como uma canção de matinas, a flor
do sorriso da fortaleza da família
em crescimento

é na Graça que vai ter os primeiros
espelhos da vida.

José Gil
23-1-2016

A fuga da palavra 11

(À minha princesa de Itabira, Solange, Terra natal do poeta Carlos Drumond de Andrade
 
Que é um poema? A palavra feita carne como
eu amo a poesia de uma maçã muito verde,
os laços da vida com a minha pretinha
 
vamos, pomar amado nos teus seios vegetais
vem do mar, na onda primeira da madrugada
a água cobre-te o corpo, a carne da palavra,
o cristal do osso do luar em cada momento,
em cada lugar em que nos sonhamos
 
vamos às casinhas, ficam bem nesta avenida do
oceano, todos alegres, vamos pelas pernas acima,
as mãos quentes, num comboio de esperança
 
chegaremos a casa no primeiro de Agosto, é a fome,
apontamentos, esboço do namoro, escritas no corpo,
no banho e no quarto
 
iremos depois ao império das Mesquitas
quebrar a união do príncipe, saberás amor
nesse dia debaixo das arcadas do palácio
o sol e a sombra da rua inteira – vale do amor,
abre por fim a romã, língua afiada pela poesia
em toda a relva curta e molhada, dura e cristalina.
 
José Gil
 
23 de Janeiro 2016

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A fuga da palavra 10

(À minha princeza pretinha, Solange)
 
Meio a meio o prazer da manhã cedo
Onde se perdeu a palavra pelo pão fresco
Do café, pedra no fundo do poço da
Vegetação da consciência
 
Prendo o meu olhar ao teu, na mesa
Do pequeno almoço um sorriso de
Tangerina mecânica, será o grito do
Gemido pela respiração de um ananás
Florido na praia em frente, tão clara ao sol
De Janeiro chuvoso.
Um Deus para cada passo, dói o pé da
Esperança no caminho do cabelo da cicatriz,
A penugem com abertura para a frescura de
Um tempo novo. A tarde será para a caminhada
Palavras com passos simples como irmã, música
Namorada, o vigor do ferro em brasa para avançar.
 
José Gil

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Fuga da palavra 9

(À minha princesa negrinha, Solange) 
 
Segura todas as maçãs verdes na saia curta,
O teu olhar sobe das botas altas de montar
 
A cadeira é dura como os teus olhos num quadro 
naturalista, épico, sensual em Itabira. é Janeiro 
nos algerozes da esperança no teu ventre,
altas as pernas na mesa torneadas, 
o lado sagrado da casa, doce o mel para o leite quente, 
o beijo inocente da carga gostosa na vila verde vegetal, 
as casas e os lotes todos alinhados como palavras novas 
junto ao mar imenso como o amor entre dois continentes. 
só vejo a distância e choro os folhos do vestido rodado, 
princesa negrita todo o dia de sol. 
  
José Gil

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A fuga da palavra 8

(à minha princesa pretinha, Solange)
 
O ritmo da corrida dos corpos na relva,
São seis horas e escrevo na iniciação do
Dia, chove no teu cabelo toda a noite
Húmida, é a saudade, um grito de solidão
Na casa da madrugada com chá de cidreira,
Torrada de geleia de marmelo e morango.
Volto pelo mesmo caminho com o mesmo
Ritmo de dança sensual, sinto os seios no meu
Peito e os quadris nos meus, osso a osso todo o
Corpo é móvel em Lisboa, em Janeiro. Que a minha
Canção chegue a tua casa limpa e pura. Luz.
 
José Gil

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A fuga da palavra 7

(À minha princesa do mundo intercontinental, Solange)
 
 
Voa no perímetro da maçã verde
És tu, seguro-te dura nos dentes,
És o rigor exemplar da terra fértil
E escura
Não tenho areia nas mãos, nos teus seios
Só brilhantes de cristal, quente a pele
Do café, só café duplo para beber
O leite branco, vou escrever à tua frente
Em Agosto na área da aresta da mesa em
Que estás deitada de joelhos na casa da
Hipótese, meu cão da esperança
Para encontrar logo a palavra
Justa.
 
José Gil

A fuga da palavra 6

(À pretinha linda Solange)
 
A fuga da palavra entre dois continentes
De vinho e fruta, uva e manga, maçã e coco
Passou o navio no mar descabelado do atlântico
Levava a cortiça da tua árvore sensual em
Seios de mel e força,
 
Passou a vida na
Terra de Minas.
 
José Gil