terça-feira, 11 de julho de 2017

A fuga da palavra 39

O CORPO

(à minha linda pretinha, amor Solange)

o corpo fala um poema devorante
o poeta é um leão, uma ave de rapina
águia vermelha pelos céus diminui
o tamanho do mundo,
por uma pequena peça de roupa
torna-se ladrão, vive em agonia

caminha veloz como uma gazela
é sábado, o poeta está feliz
sabe a armadilha da sedução
ama, devora os seios, o pescoço
por um pilar negro no meio do eixo
norte-sul do corpo, redondas formas
de sentir  um Deus aberto e plural
no barro da terra quando chove
corpo na lama, vestígio da origem
encontra logo a palavra certa

Lisboa fica amuada, a palavra não
lhe apareceu

não guarde o passado que o mundo é
tão pequeno
 
José Gil