sexta-feira, 4 de junho de 2010

tulha



(fotografia de pam moxley, "chase", s/d)


Deixou-me sem carpir e arregalar os cabelos
Atiro as palavras como rasoiros de tulha
Não sei para quem – as letras vão
Reforçadas de pez - ando pelos caminhos
É feriado, senhora da luz que nos alumie
Voam os pássaros por baixo dela em ascensão

Completar um santo é uma insignificante
Construção de um livro, passam-se horas
Pois se a largaram não se perdeu nada

Na tulha o cavalo de asas foi selado da
Melhor cernelha, despede-se como uma
Flecha aberta duma galopada subiu
às costas do céu, lá onde vive outra
Geração – a globalização acabou

José Gil

1 comentário:

Sônia Pillon disse...

Que lúdico imaginar um cavalo galopando, levando um coração alado, peregrino!... Gostei, parabéns, Gil!